segunda-feira, 9 de maio de 2011

Da reconciliação

Apesar da flor de minha idade,
a parte mais madura de meu amor
me atura, buscando um ponto onde se por,
um corpo sem pudor e a preciosidade de uma jade.

Ve(r)de como te quero.
Acomoda-te em mim,
assim ou com esmero,
te espero em meu jardim.

Porém, não encontrarás rosas,
além de calorosas pinturas
em juras de versos ou prosas.

Terás um copo, um corpo e torpor,
uma droga à altura
da reconciliação e da dor.

Viramundo

Da decisão, criaram-se estes versos.
Ao avesso da rotina e do comum
viromundo nosso, aliado, ao inverso,
armado da emoção que desatina alguns.

Viradomundo será autêntico;
colorido por um vento de folhas vermelhas,
oriundo de nossas palavras amélias;
e tido como cativante; às vezes, patético.

Não mais esperemos.
Nosso tempo é o agora
neste viradomundo afora.

Lado a lado por caminhos amenos,
sem o provável de um dado ou a posse de um rei.
O viramundo fez-me inseparável do ser que cativei.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Transcendência

A molecada reunida. O final de tarde. O cansaço depois da pelada. A rua de paralelepípedo. A banca de jornal. As frutas nas árvores. A loja da tia. O parque na areia. O gira-gira. Oito lugares. A dúvida: quem vai? As decisões. Os olhares determinados. O começo. A velocidade extrema. Os olhos fechados. Os gritos. A pausa. A perda do foco. A perda do equilíbrio. As risadas à toa. A fascinante liberdade. A paz.

A finalidade do homem: transcender.

Definitivamente, instintivo.

Quem nunca viu um bebê ou uma criança girando até não se aguentar em pé? Quem nunca soube de pessoas que se drogaram até perderem os sentidos? Quem nunca ligou som e deitou-se na cama até perceber que se passaram quase duas horas? Quem nunca, de alguma maneira, meditou?

Na maior parte do tempo, a realidade é repetitiva. Mais do mesmo. Há somente duas formas de encará-la: aceitando-a ou trascendendo-a. Ironicamente, a segunda forma parece ser o requisito para a primeira. Em outras palavras: o objetivo da transcendência é a simples aceitação. Essa provavelmente é a maldição do homem: não aceitar. Para piorar, inúmeras vezes, trocam-se as bolas, ou seja, busca-se ser aceito. Enfim, enquanto não há a aceitação, eu arrisco dizer que a existência alterna-se entre a repetição e as momentâneas transcendências, geradas por certas situações. O que gera frustração, pois a pessoa atinge um outro nível, mas não consegue manter-se nele por muito tempo, voltando sempre às raízes.

Como já foi mostrado acima, há inúmeras formas de transcender, porém uma situação parece-me superar todas as formas possíveis disso: o risco de vida. Nessa situação, imagino, o Homem questiona-se e percebe a simplicidade de tudo.

1º questão: O que eu ainda não fiz?
Uma questão momentânea, pois, com tão pouco tempo, não há muito há se fazer.

2º questão: O que fiz valeu pena?
Nessa fase, o Homem lembra de sua vida, focando nos momentos em que transcendeu, mas com a sensação de um vazio.

3º questão: Poderia ter sido diferente?
Nessa hora, a ficha cai e o Homem percebe que o responsável por quase tudo o que aconteceu na vida dele é ele e que quase todos os limites que o cercavam estavam somente dentro dele. Nesse momento, a aceitação é consumada.


Transcendamos e aceitemos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Interpretação/Personalidade

O Homem é a sua interpretação. O ato de interpretar define tudo o que está relacionado ao Homem. Neste texto, abordarei uma pequena parte: a personalidade.

A interpretação consiste em coletar informações, compará-las com que as que já se possui (valores) e emitir um juízo associado às informações coletadas. O processo, "na prática", inicia-se no momento da comparação das novas informações com as que já se possui (valores).

Resumindo: Fato -> Interpretação do fato baseada em pensamentos/convicções/valores -> juízo emitido.

Um casal, morador de um apartamento na Tijuca, trabalha diariamente em locais diferentes. Enquanto o homem chega em casa normalmente às 18h, a mulher chega em casa normalmente às 19h. Em uma segunda-feira, a mulher chegou em casa e não encontrou seu marido. Automaticamente, tornou-se inquieta. Mesmo assistindo a um programa na TV, constantemente levantava-se e olhava pela janela na esperança de avistar o marido.

Uma segunda mulher, na mesma condição, mantem-se calma e liga para uma amiga enquanto o marido não chega.

Qual a diferença entre as duas mulheres? As respectivas interpretações.

Enquanto a primeira possui o seguinte pensamento/convicção: meu marido está atrasado porque ocorreu algum acidente envolvendo-o; a segunda mulher possui o seguinte pensamento/convicção: meu marido está atrasado porque tem muito trabalho ou está preso em algum engarrafamento.

Considerando que a personalidade não é um atributo inerente ao Homem, mas algo dado a ele após um "consenso democrático" entre as pessoas ao seu redor; enquanto a primeira mulher seria considerada uma pessoa insegura e ansiosa, a segunda mulher seria considerada uma pessoa segura e confiante por mim e, provavelmente, por você, leitor.

Toda a interpretação humana depende de idéias/pensamentos/convicções, muitas vezes inconscientes, que determinam o comportamento de uma pessoa em uma determinada situação.
Baseado no esquema de Ellis, darei o exemplo de uma reunião de um grupo de estudantes.

Buscando organizar a apresentação de um trabalho de Economia, 4 estudantes reunem-se na biblioteca da faculdade em uma tarde de quarta-feira. A proposta é levantar o máximo de idéias possíveis, discuti-las e organizá-las.

Enquanto dois estudantes seguem a proposta firmemente, os outros dois raramente expressam alguma opinião, sendo apenas ouvintes durante a maior parte do tempo. O que diferencia esses 2 subgrupos de estudantes? Novamente, a interpretação.

Grupo 1 - estudantes seguros
Grupo 2 - estudantes inseguros

Quais são os prováveis pensamentos/convicções que os estudantes do Grupo 1 possuem? "Tenho a minha contribuição a dar.", "Todas as idéias são aceitáveis.", "Quanto mais se troca, mais se avança", "O que vier é lucro" etc.

Tais pensamentos/convicções afetam diretamente o comportamento desses estudantes, tornando-os participativos na conversa e permitindo-os que desenvolvam suas opiniões e discordâncias. Além disso, geram emoções que estarão associadas a tais comportamentos; por exemplo, orgulho, alegria, satisfação etc.

Ou seja, os estudantes interpretam o acontecimento (aprontar um trabalho de Economia) com convicções positivas, gerando um comportamento positivo perante o grupo. Diante de tal comportamento, observadores desse grupo descreveriam esses 2 estudantes como seguros e confiantes.

Em relação ao Grupo 2, quais serão seus prováveis pensamentos/convicções? "Vou dizer uma bobagem, o que seria horrível.", "Eu não possuo idéias tão interessantes quanto as de fulano" ou (em casos extremos) "Os outros são mais interessantes do que eu, logo não tenho muito a acrescentar." etc.

Novamente, tais pensamentos/convicções gerarão uma emoção negativa (ansiedade, apreensão, nervosismo), ocasionando um comportamento negativo, ou seja, os outros 2 estudantes participarão pouco da conversa e, quando participarem, será de maneira breve. De bônus, a respiração ficará bloqueada, a garganta dará um nó e por aí vai.

Perante os observadores do grupo, os estudantes do Grupo 2 serão considerados inseguros, medrosos, ansiosos...


Fato -> Interpretação do fato -> Emoções -> Comportamentos ou juízos -> Personalidade


Por fim, a personalidade não passa de uma resposta constante dada por indivíduos aos comportamentos de um indivíduo, isto é, a forma com que interpreta o mundo.



"A vida é um eterno teatro que nunca se consuma."

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Pelos aniversários

Ando com o meu nome riscado nas listas.
Isso após o recado enviado:
uma exclamação seguida de um desejo ou dois,
pois o realejo não disponibiliza outra opção,
o que agiliza o molejo dos turistas.

Claro que poucos se importam com minha visão.

Quando vejo um tanto de gente sendo sincera,
ou é dia de santo ou pedidos virão.
Mudo, com um enrolo e um olhar emocionado, respondo:
Obrigado, meus caros amigos, tudo em dobro.
Pronto! Engodo tirado da terra.

Claro que nem todos percebem qual é a questão.

O porquê de um presente somente em um dia.
O porquê da ligação em apenas uma tarde.
A emoção corre a revelia das partes.
Um pleno desperdício.
Uma pena.

Claro que ninguém se toca com minha aflição.