O humor está em alta.
O mundo está pelo meio.
A fome está ao lado.
A morte segue abaixo.
A carne sente pólvora.
O homem vale por ouro.
A vida cheira a sangue.
Daqueles que cheiram cocaína,
poucos ficam legais.
Daqueles que fumam maconha,
nenhum abre os horizontes.
Daqueles que têm horizontes,
poucos possuem atitude.
Dos que tomam atitude,
poucas são eficientes.
Das que se tornam eficientes,
vem a questão: pra quem?
Quem equivale a mim.
Mim não conhecer outros homens.
Mim não saber de outros lugares,
sem ser por histórias ou negócios.
Mim não saber me comunicar.
Mim, enfim, ser índio.
E índio sabe da libido.
E índio sabe das nuances.
E índio disfarça libido com nuances
e a cara de pau com terno.
Isso custa caro.
O sapato também,
mas a patroa está no pé,
as crianças no colo,
o suor na cara,
a dor no peito,
a dor na pele,
a pinga na sorte,
o almoço na caridade,
a cama no chão,
a água na chuva
e Deus no inferno.
E que esteja extremamente quente
o meu cafézinho e meu pão.
Algo mais importa?
Como eu disse, o humor está em alta.
domingo, 17 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Mulher
Eu me rendo. Durante tempos, batalhei, fechei os olhos, tapei os ouvidos, mudei de assunto, aumentei o volume, enchi a cara, mas não deu. Numa hora, a gente desembesta. Como deixar de tratar de um assunto tão presente? A mulher.
De primeira, concentrei-me em entender suas origens, recorri à História. Infelizmente, meus ancestrais não se ativeram ao assunto da devida maneira e me deixaram no centro de uma encruzilhada. Seguindo em direção ao norte, chegamos à mais famosa das teorias: a costela de Adão. Biologicamente falando, as costelas dividem-se nas seguintes categorias: verdadeiras, falsas e flutuantes.
Creio que boa parte dos atuais estudos realizados sobre as mulheres apoiaram-se nessa teoria, vejamos. Definitivamente, as mulheres são verdadeiras. Quando falam a verdade, obviamente, são verdadeiras; quando mentem, fazem-se verdadeiras; quando flutuam em suas divagações, inventam-se verdadeiras. Não importa de qual costela vieram, elas sempre serão verdadeiras, escolha meticulosamente tomada após observarem nossos valores.
Isso gera dois efeitos: exclui a direção oeste, na qual elas teriam vindo dos macacos, aliás não creio ter ficado com decendentes de macacos, e mostra o quanto esses seres são observadores (já experimentaram mexer em alguma coisa dentro do ambiente delas?). Isso me leva à outra questão: por que toda essa vigilância? O que elas escondem?
Aproveitando o embalo, por que sempre vão em bando ao banheiro? Por que, inúmeras vezes, são encontradas divagando?
Consternado, segui em direção ao sul, cheguei na teoria da evolução, na qual um pedaço de nada decidiu se agrupar com outros pedaços de nada e o resto vocês já sabem. Não creio. Finalmente, segui em direção ao leste. No meio do caminho, achei uma garrafa de vinho, um cadáver e uma folha de papel rasgada "eis a fórmula".
Como um bom mau cristão que sou, esvaziei a garrafa e olhei em direção ao céu, era noite e hora de recorrer a Deus. Tantas estrelas,tantos brilhos, mas tinha um especial, mais forte do que todos: a estrela D'alva. Seria uma mensagem divina? Um estalo me ocorreu: Vênus!
Será isso que elas escondem? Serão elas de outro planeta? O que querem aqui? Por ser um bom observador, pude claramente perceber a diferença: cabelos longos, pele macia, sorrisos encantadores, um jeito especial de andar, um cheiro bom, peitos fartos e umas coxas que me fazem parar a descrição por aqui e perceber o quanto fui ingênuo.
Enfim, para compreendê-las, associei-me a algumas e tive a sorte de perceber outras características. Definitivamente, são bastante curiosas, observadoras, inteligentes e convincentes. As 3 primeiras, principalmente, devem-se ao fato de serem de outro planeta e estarem aqui provavelmente coletando informações.
Como elas transferem as informações obtidas? Simples; em cada banheiro feminino, existe um comunicador que as conecta com Vênus, isso, aliás, explica a ida em bando de mulheres aos banheiros; pois, visando conservar o aparelho, reunem todas as informações e as mandam de uma só vez. Além de tudo, são cuidadosas.
Além disso, caso não haja um banheiro feminino nas proximidades, elas utilizam-se de um método que atrai bastante atenção: fixam o olhar no além e não piscam, puro devaneio. Nessas horas, entra a quarta característica: o convencimento.
Ao serem perguntadas sobre o que estão pensando, elas utilizam-se das desculpas mais esfarrapadas possíveis: "tentando lembrar onde enfiei minha chave", "não sei onde guardei meu espelho". Enfim, deve haver um manual sobre esse tema.
Porém, elas nos subestimaram, acharam que nunca iríamos perceber tais desculpas, mesmo após milênios.
Acredito que você, leitor, ainda tenha uma dúvida: como elas obtêm as informações? Novamente, aqui se faz presente o convencimento, agora, em sua forma mais real. Pegue as alterações na voz, misture com uns olhares e expressões, adicione uns carinhos muito bem feitos e, de resto, coloque perfumes, cremes, loções e acessórios. Pronto, meus amigos, eis a fórmula.
Alguma dúvida em relação ao cadáver?
De primeira, concentrei-me em entender suas origens, recorri à História. Infelizmente, meus ancestrais não se ativeram ao assunto da devida maneira e me deixaram no centro de uma encruzilhada. Seguindo em direção ao norte, chegamos à mais famosa das teorias: a costela de Adão. Biologicamente falando, as costelas dividem-se nas seguintes categorias: verdadeiras, falsas e flutuantes.
Creio que boa parte dos atuais estudos realizados sobre as mulheres apoiaram-se nessa teoria, vejamos. Definitivamente, as mulheres são verdadeiras. Quando falam a verdade, obviamente, são verdadeiras; quando mentem, fazem-se verdadeiras; quando flutuam em suas divagações, inventam-se verdadeiras. Não importa de qual costela vieram, elas sempre serão verdadeiras, escolha meticulosamente tomada após observarem nossos valores.
Isso gera dois efeitos: exclui a direção oeste, na qual elas teriam vindo dos macacos, aliás não creio ter ficado com decendentes de macacos, e mostra o quanto esses seres são observadores (já experimentaram mexer em alguma coisa dentro do ambiente delas?). Isso me leva à outra questão: por que toda essa vigilância? O que elas escondem?
Aproveitando o embalo, por que sempre vão em bando ao banheiro? Por que, inúmeras vezes, são encontradas divagando?
Consternado, segui em direção ao sul, cheguei na teoria da evolução, na qual um pedaço de nada decidiu se agrupar com outros pedaços de nada e o resto vocês já sabem. Não creio. Finalmente, segui em direção ao leste. No meio do caminho, achei uma garrafa de vinho, um cadáver e uma folha de papel rasgada "eis a fórmula".
Como um bom mau cristão que sou, esvaziei a garrafa e olhei em direção ao céu, era noite e hora de recorrer a Deus. Tantas estrelas,tantos brilhos, mas tinha um especial, mais forte do que todos: a estrela D'alva. Seria uma mensagem divina? Um estalo me ocorreu: Vênus!
Será isso que elas escondem? Serão elas de outro planeta? O que querem aqui? Por ser um bom observador, pude claramente perceber a diferença: cabelos longos, pele macia, sorrisos encantadores, um jeito especial de andar, um cheiro bom, peitos fartos e umas coxas que me fazem parar a descrição por aqui e perceber o quanto fui ingênuo.
Enfim, para compreendê-las, associei-me a algumas e tive a sorte de perceber outras características. Definitivamente, são bastante curiosas, observadoras, inteligentes e convincentes. As 3 primeiras, principalmente, devem-se ao fato de serem de outro planeta e estarem aqui provavelmente coletando informações.
Como elas transferem as informações obtidas? Simples; em cada banheiro feminino, existe um comunicador que as conecta com Vênus, isso, aliás, explica a ida em bando de mulheres aos banheiros; pois, visando conservar o aparelho, reunem todas as informações e as mandam de uma só vez. Além de tudo, são cuidadosas.
Além disso, caso não haja um banheiro feminino nas proximidades, elas utilizam-se de um método que atrai bastante atenção: fixam o olhar no além e não piscam, puro devaneio. Nessas horas, entra a quarta característica: o convencimento.
Ao serem perguntadas sobre o que estão pensando, elas utilizam-se das desculpas mais esfarrapadas possíveis: "tentando lembrar onde enfiei minha chave", "não sei onde guardei meu espelho". Enfim, deve haver um manual sobre esse tema.
Porém, elas nos subestimaram, acharam que nunca iríamos perceber tais desculpas, mesmo após milênios.
Acredito que você, leitor, ainda tenha uma dúvida: como elas obtêm as informações? Novamente, aqui se faz presente o convencimento, agora, em sua forma mais real. Pegue as alterações na voz, misture com uns olhares e expressões, adicione uns carinhos muito bem feitos e, de resto, coloque perfumes, cremes, loções e acessórios. Pronto, meus amigos, eis a fórmula.
Alguma dúvida em relação ao cadáver?
domingo, 10 de outubro de 2010
Preocupação
Preocupação
Escrevo este artigo para os informá-los de algo que me preocupa: a nossa taxa de crescimento.
Com uma previsão de crescimento de 8% do PIB neste ano, o governo elabora a sua campanha, afirmando o enorme êxito de sua política econômica. Esquecem-se, porém, de declarar um pequeno e importante detalhe: o desequilíbrio das contas públicas.
Na mesma corrente, temos o candidato do PSDB, José Serra, que parece não se importar muito com a situação. Umas de suas propostas, caso eleito, é a ampliação do salário mínimo para 600 reais, além do aumento em 10% da aposentadoria e um provável fim do fator previdenciário. Em outras palavras: ampliação do gasto público.
Ambos os candidatos não citaram uma proposta de ajuste fiscal.
Beleza... Porém, o que te deixa preocupado, André?
Camaradas, há uma enorme ligação entre gasto público e câmbio, idéia que Dilma não apóia e que Serra parece não se importar. Atualmente, não há nenhum horizonte que mostre o combate ao gasto público excessivo.
Retomando a idéia: o Brasil é um governo que possui déficit, ou seja, gasta mais do que arrecada. Para financiar os gastos, utiliza-se da poupança, que atualmente não é mais suficiente.
Como resultado, o país recorre aos empréstimos.
Como no Brasil a busca por crédito está gigantesca, os juros nacionais também estão gigantescos; busca-se, então, a poupança internacional, que está realizando empréstimos a juros quase de 0%.
Ou seja, a quantidade de dólar no país aumentou, valorizando a moeda brasileira. Consequentemente, isso favoreceu a importação, reduzindo o preço dos produtos importados e permitindo o acesso de milhares de pessoas de classes mais baixas a produtos e serviços antes inacessíveis, aquecendo incrivelmente a economia ( eis a causa de nosso bruto crescimento de 8% ).
Por outro lado, isso está prejudicando fortemente a exportação. Estamos importando mais do que exportando. Atualmente, o Brasil é o quarto maior importador do mundo, porém o sexto maior exportador do mundo. Para burlar o déficit, novamente, são utilizados empréstimos. Mais dólares entrando no país, desvalorizando ainda mais a moeda nacional.
Obviamente, de cara, é necessário conter esse déficit, reerguer a exportação. Para valorizar o Real, é necessário o corte nos gastos públicos e investimentos em infraestrutura e tecnologia, reduzindo, assim, o custo de produção.
Infelizmente, há fatores que desfavorecem tal retomada. As secas, a quebra de safras e a sazonalidade são exemplos disso. Esses fatores prejudicam os gêneros alimentícios, principal produto de exportação brasileiro. Como consequência, há o aumento do preço dos alimentos. Em outras palavras: inflação.
O que, porém, está segurando a disparada da inflação é a desvalorização do dólar, que aumentou a oferta, diminuindo o preço dos produtos. Ou seja, o que é preciso combater está "salvando" o Brasil da inflação.
Repito: não há proposta de ajuste fiscal de nenhuma das partes. Através do jeitinho, dão a solução: a ampliação da oferta de crédito, a continuidade do exuberante gasto público, o aumento do salário mínimo, o aumento da aposentadoria, o fim do fator previdenciário, enfim, o famoso "empurrar com a barriga".
Para piorar, todavia, creio que o "empurrar com a barriga" não durará muito tempo, pois, além de todas as pedras no caminho, há uma muralha erguendo-se: a China. No mundo pós-crise, para reaquecer a economia, os países reduziram a taxa de juros, buscando reaver a economia. Atitude, aliás, não tomada pelo nosso governo; que foi na contramão da ação mundial, aumentando a taxa de juros.
A China, porém, tomou/manteve atitudes protecionistas. Com sua moeda desvalorizada, os produtos chineses tornaram-se imbatíveis. Com isso, a China tomou grande parte do mercado mundial, inclusive da América Latina, um dos principais mercados brasileiros. Além disso, os outros países, em retaliação à China, começam a apontar para um horizonte timidamente protecionista, que futuramente poderá prejudicar - e muito - a economia brasileira, dificultando a exportação.
Os desajustes econômicos têm-se tornado difíceis de solucionar. O superávit primário não é mais os 4% de antes, caiu para 2% e nada de ajustes.
Em suma, fazem-nos aplaudir um crescimento de 8% sem mostrar o verdadeiro contexto disso. O grande desafio será manter esse desenvolvimento nos próximos anos. Caso ações efetivas para reduzir o gasto público não sejam tomadas o mais cedo possível, as contas possivelmente serão cobradas no futuro.
Escrevo este artigo para os informá-los de algo que me preocupa: a nossa taxa de crescimento.
Com uma previsão de crescimento de 8% do PIB neste ano, o governo elabora a sua campanha, afirmando o enorme êxito de sua política econômica. Esquecem-se, porém, de declarar um pequeno e importante detalhe: o desequilíbrio das contas públicas.
Na mesma corrente, temos o candidato do PSDB, José Serra, que parece não se importar muito com a situação. Umas de suas propostas, caso eleito, é a ampliação do salário mínimo para 600 reais, além do aumento em 10% da aposentadoria e um provável fim do fator previdenciário. Em outras palavras: ampliação do gasto público.
Ambos os candidatos não citaram uma proposta de ajuste fiscal.
Beleza... Porém, o que te deixa preocupado, André?
Camaradas, há uma enorme ligação entre gasto público e câmbio, idéia que Dilma não apóia e que Serra parece não se importar. Atualmente, não há nenhum horizonte que mostre o combate ao gasto público excessivo.
Retomando a idéia: o Brasil é um governo que possui déficit, ou seja, gasta mais do que arrecada. Para financiar os gastos, utiliza-se da poupança, que atualmente não é mais suficiente.
Como resultado, o país recorre aos empréstimos.
Como no Brasil a busca por crédito está gigantesca, os juros nacionais também estão gigantescos; busca-se, então, a poupança internacional, que está realizando empréstimos a juros quase de 0%.
Ou seja, a quantidade de dólar no país aumentou, valorizando a moeda brasileira. Consequentemente, isso favoreceu a importação, reduzindo o preço dos produtos importados e permitindo o acesso de milhares de pessoas de classes mais baixas a produtos e serviços antes inacessíveis, aquecendo incrivelmente a economia ( eis a causa de nosso bruto crescimento de 8% ).
Por outro lado, isso está prejudicando fortemente a exportação. Estamos importando mais do que exportando. Atualmente, o Brasil é o quarto maior importador do mundo, porém o sexto maior exportador do mundo. Para burlar o déficit, novamente, são utilizados empréstimos. Mais dólares entrando no país, desvalorizando ainda mais a moeda nacional.
Obviamente, de cara, é necessário conter esse déficit, reerguer a exportação. Para valorizar o Real, é necessário o corte nos gastos públicos e investimentos em infraestrutura e tecnologia, reduzindo, assim, o custo de produção.
Infelizmente, há fatores que desfavorecem tal retomada. As secas, a quebra de safras e a sazonalidade são exemplos disso. Esses fatores prejudicam os gêneros alimentícios, principal produto de exportação brasileiro. Como consequência, há o aumento do preço dos alimentos. Em outras palavras: inflação.
O que, porém, está segurando a disparada da inflação é a desvalorização do dólar, que aumentou a oferta, diminuindo o preço dos produtos. Ou seja, o que é preciso combater está "salvando" o Brasil da inflação.
Repito: não há proposta de ajuste fiscal de nenhuma das partes. Através do jeitinho, dão a solução: a ampliação da oferta de crédito, a continuidade do exuberante gasto público, o aumento do salário mínimo, o aumento da aposentadoria, o fim do fator previdenciário, enfim, o famoso "empurrar com a barriga".
Para piorar, todavia, creio que o "empurrar com a barriga" não durará muito tempo, pois, além de todas as pedras no caminho, há uma muralha erguendo-se: a China. No mundo pós-crise, para reaquecer a economia, os países reduziram a taxa de juros, buscando reaver a economia. Atitude, aliás, não tomada pelo nosso governo; que foi na contramão da ação mundial, aumentando a taxa de juros.
A China, porém, tomou/manteve atitudes protecionistas. Com sua moeda desvalorizada, os produtos chineses tornaram-se imbatíveis. Com isso, a China tomou grande parte do mercado mundial, inclusive da América Latina, um dos principais mercados brasileiros. Além disso, os outros países, em retaliação à China, começam a apontar para um horizonte timidamente protecionista, que futuramente poderá prejudicar - e muito - a economia brasileira, dificultando a exportação.
Os desajustes econômicos têm-se tornado difíceis de solucionar. O superávit primário não é mais os 4% de antes, caiu para 2% e nada de ajustes.
Em suma, fazem-nos aplaudir um crescimento de 8% sem mostrar o verdadeiro contexto disso. O grande desafio será manter esse desenvolvimento nos próximos anos. Caso ações efetivas para reduzir o gasto público não sejam tomadas o mais cedo possível, as contas possivelmente serão cobradas no futuro.
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