O humor está em alta.
O mundo está pelo meio.
A fome está ao lado.
A morte segue abaixo.
A carne sente pólvora.
O homem vale por ouro.
A vida cheira a sangue.
Daqueles que cheiram cocaína,
poucos ficam legais.
Daqueles que fumam maconha,
nenhum abre os horizontes.
Daqueles que têm horizontes,
poucos possuem atitude.
Dos que tomam atitude,
poucas são eficientes.
Das que se tornam eficientes,
vem a questão: pra quem?
Quem equivale a mim.
Mim não conhecer outros homens.
Mim não saber de outros lugares,
sem ser por histórias ou negócios.
Mim não saber me comunicar.
Mim, enfim, ser índio.
E índio sabe da libido.
E índio sabe das nuances.
E índio disfarça libido com nuances
e a cara de pau com terno.
Isso custa caro.
O sapato também,
mas a patroa está no pé,
as crianças no colo,
o suor na cara,
a dor no peito,
a dor na pele,
a pinga na sorte,
o almoço na caridade,
a cama no chão,
a água na chuva
e Deus no inferno.
E que esteja extremamente quente
o meu cafézinho e meu pão.
Algo mais importa?
Como eu disse, o humor está em alta.
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