Preocupação
Escrevo este artigo para os informá-los de algo que me preocupa: a nossa taxa de crescimento.
Com uma previsão de crescimento de 8% do PIB neste ano, o governo elabora a sua campanha, afirmando o enorme êxito de sua política econômica. Esquecem-se, porém, de declarar um pequeno e importante detalhe: o desequilíbrio das contas públicas.
Na mesma corrente, temos o candidato do PSDB, José Serra, que parece não se importar muito com a situação. Umas de suas propostas, caso eleito, é a ampliação do salário mínimo para 600 reais, além do aumento em 10% da aposentadoria e um provável fim do fator previdenciário. Em outras palavras: ampliação do gasto público.
Ambos os candidatos não citaram uma proposta de ajuste fiscal.
Beleza... Porém, o que te deixa preocupado, André?
Camaradas, há uma enorme ligação entre gasto público e câmbio, idéia que Dilma não apóia e que Serra parece não se importar. Atualmente, não há nenhum horizonte que mostre o combate ao gasto público excessivo.
Retomando a idéia: o Brasil é um governo que possui déficit, ou seja, gasta mais do que arrecada. Para financiar os gastos, utiliza-se da poupança, que atualmente não é mais suficiente.
Como resultado, o país recorre aos empréstimos.
Como no Brasil a busca por crédito está gigantesca, os juros nacionais também estão gigantescos; busca-se, então, a poupança internacional, que está realizando empréstimos a juros quase de 0%.
Ou seja, a quantidade de dólar no país aumentou, valorizando a moeda brasileira. Consequentemente, isso favoreceu a importação, reduzindo o preço dos produtos importados e permitindo o acesso de milhares de pessoas de classes mais baixas a produtos e serviços antes inacessíveis, aquecendo incrivelmente a economia ( eis a causa de nosso bruto crescimento de 8% ).
Por outro lado, isso está prejudicando fortemente a exportação. Estamos importando mais do que exportando. Atualmente, o Brasil é o quarto maior importador do mundo, porém o sexto maior exportador do mundo. Para burlar o déficit, novamente, são utilizados empréstimos. Mais dólares entrando no país, desvalorizando ainda mais a moeda nacional.
Obviamente, de cara, é necessário conter esse déficit, reerguer a exportação. Para valorizar o Real, é necessário o corte nos gastos públicos e investimentos em infraestrutura e tecnologia, reduzindo, assim, o custo de produção.
Infelizmente, há fatores que desfavorecem tal retomada. As secas, a quebra de safras e a sazonalidade são exemplos disso. Esses fatores prejudicam os gêneros alimentícios, principal produto de exportação brasileiro. Como consequência, há o aumento do preço dos alimentos. Em outras palavras: inflação.
O que, porém, está segurando a disparada da inflação é a desvalorização do dólar, que aumentou a oferta, diminuindo o preço dos produtos. Ou seja, o que é preciso combater está "salvando" o Brasil da inflação.
Repito: não há proposta de ajuste fiscal de nenhuma das partes. Através do jeitinho, dão a solução: a ampliação da oferta de crédito, a continuidade do exuberante gasto público, o aumento do salário mínimo, o aumento da aposentadoria, o fim do fator previdenciário, enfim, o famoso "empurrar com a barriga".
Para piorar, todavia, creio que o "empurrar com a barriga" não durará muito tempo, pois, além de todas as pedras no caminho, há uma muralha erguendo-se: a China. No mundo pós-crise, para reaquecer a economia, os países reduziram a taxa de juros, buscando reaver a economia. Atitude, aliás, não tomada pelo nosso governo; que foi na contramão da ação mundial, aumentando a taxa de juros.
A China, porém, tomou/manteve atitudes protecionistas. Com sua moeda desvalorizada, os produtos chineses tornaram-se imbatíveis. Com isso, a China tomou grande parte do mercado mundial, inclusive da América Latina, um dos principais mercados brasileiros. Além disso, os outros países, em retaliação à China, começam a apontar para um horizonte timidamente protecionista, que futuramente poderá prejudicar - e muito - a economia brasileira, dificultando a exportação.
Os desajustes econômicos têm-se tornado difíceis de solucionar. O superávit primário não é mais os 4% de antes, caiu para 2% e nada de ajustes.
Em suma, fazem-nos aplaudir um crescimento de 8% sem mostrar o verdadeiro contexto disso. O grande desafio será manter esse desenvolvimento nos próximos anos. Caso ações efetivas para reduzir o gasto público não sejam tomadas o mais cedo possível, as contas possivelmente serão cobradas no futuro.
Rapaz, adorei realmente teu artigo. Muito bem escrito e muito informativo. Confesso que ainda não tinha feito alguns links que você realizou nessa exposição. Faz o maior sentido. É de se preocupar realmente. Convenhamos que a política no Brasil tem se afundado diariamente, e, pelo visto, a economia segue pelo mesmo caminho. Infelizmente.
ResponderExcluirContinue escrevendo, cara. Está de parabéns.