terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Transcendência

A molecada reunida. O final de tarde. O cansaço depois da pelada. A rua de paralelepípedo. A banca de jornal. As frutas nas árvores. A loja da tia. O parque na areia. O gira-gira. Oito lugares. A dúvida: quem vai? As decisões. Os olhares determinados. O começo. A velocidade extrema. Os olhos fechados. Os gritos. A pausa. A perda do foco. A perda do equilíbrio. As risadas à toa. A fascinante liberdade. A paz.

A finalidade do homem: transcender.

Definitivamente, instintivo.

Quem nunca viu um bebê ou uma criança girando até não se aguentar em pé? Quem nunca soube de pessoas que se drogaram até perderem os sentidos? Quem nunca ligou som e deitou-se na cama até perceber que se passaram quase duas horas? Quem nunca, de alguma maneira, meditou?

Na maior parte do tempo, a realidade é repetitiva. Mais do mesmo. Há somente duas formas de encará-la: aceitando-a ou trascendendo-a. Ironicamente, a segunda forma parece ser o requisito para a primeira. Em outras palavras: o objetivo da transcendência é a simples aceitação. Essa provavelmente é a maldição do homem: não aceitar. Para piorar, inúmeras vezes, trocam-se as bolas, ou seja, busca-se ser aceito. Enfim, enquanto não há a aceitação, eu arrisco dizer que a existência alterna-se entre a repetição e as momentâneas transcendências, geradas por certas situações. O que gera frustração, pois a pessoa atinge um outro nível, mas não consegue manter-se nele por muito tempo, voltando sempre às raízes.

Como já foi mostrado acima, há inúmeras formas de transcender, porém uma situação parece-me superar todas as formas possíveis disso: o risco de vida. Nessa situação, imagino, o Homem questiona-se e percebe a simplicidade de tudo.

1º questão: O que eu ainda não fiz?
Uma questão momentânea, pois, com tão pouco tempo, não há muito há se fazer.

2º questão: O que fiz valeu pena?
Nessa fase, o Homem lembra de sua vida, focando nos momentos em que transcendeu, mas com a sensação de um vazio.

3º questão: Poderia ter sido diferente?
Nessa hora, a ficha cai e o Homem percebe que o responsável por quase tudo o que aconteceu na vida dele é ele e que quase todos os limites que o cercavam estavam somente dentro dele. Nesse momento, a aceitação é consumada.


Transcendamos e aceitemos.

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